vida na irlanda dublin cliffs of moher
Vida na Irlanda

Pratos limpos, sorriso no rosto e uma vida na Irlanda

Natural de Criciúma, 30 anos, ele sempre teve o sonho de morar fora do país. Mas quando ele ainda era bem pequeno, mal sabia que existia o mundo tão grande lá fora.

vida na irlanda dublin cliffs of moherOs anos foram passando e a infância difícil deu a ele uma vontade de ir mais longe, de querer mais, de morar em outro país. Quem nunca sonhou com isso?

Mas Felipe sempre quis isso, de verdade!

Era a sua frase favorita, quando conversava com a mãe e as irmãs. De vez em quando isso até caía no esquecimento. Mas entre uma mudança e outra da vida, esse pensamento sempre voltava, como um tipo de fuga, uma nova chance, um recomeço, ou o começo de tudo, afinal.

Uma oportunidade financeira foi a sua chance. Veio com a promessa de chegar na Irlanda e construir uma nova vida, trazer um dia a mãe para visitar e a vontade de ser uma âncora para a família. Acima de tudo, veio com um forte desejo de retribuir o apoio que sempre recebeu da sua mãe e duas irmãs.

Passagens compradas, pequenas malas feitas e um frio na barriga. Sabe aquela mistura de sentimentos bons de alegria com os de medo, que dá uma sensação estranha? Era bem dessas mesmo, que chega doer um pouquinho a barriga.

No avião foi tudo beleza, ou quase tudo… A comida era só um pratinho pequeno, que não deu nem para tapar o buraquinho do estômago. Mal sabiam as comissárias de bordo que o Felipe com fome não é ele mesmo, se torna um tipo indomado de pequeno monstro. Mas ali mesmo, durante as longas horas de voo, entre uns cochilos e umas barrinhas de cereal, Felipe já tentava aumentar o seu vocabulário em inglês que se resumia em poucas palavras: “hello”, “how are you?”.

vida na irlanda dublin cliffs of moher

Chegada do Felipe em Dublin, em pleno outono.

Ao pisar em terras Irlandesas, o vento gelado o assustou um pouco. Mas a alegria era tanta, que o sorriso não saía do rosto e transbordava em palavras e piadas. Assim Felipe foi conquistando novos amigos e fazendo parcerias, com os tantos de brasileiros que já estavam aqui, vivendo o mesmo sonho em comum.

Dessas amizades, surgiu a oportunidade do primeiro emprego. Nada aquilo relacionado à área de estudos, mas um bom primeiro passo. Kitchen Porter foi a posição, para lavar louça em um restaurante.

Mas não era pouca louça não. Montes e montes dela, que se multiplicam por mágica em uma pequena pia de cozinha. Sem falar das panelas “sem querer” queimadas. Cansativo, muito mesmo, mas um esforço necessário para manter o sonho vivo de estar na Irlanda. Afinal, até nos sonhos você precisa comer, pagar aluguel, comprar roupas quentinhas e por aí vai.

Entre um turno e outro de trabalho, as idas diárias ao curso de inglês eram necessárias e no começo até divertidas. Depois se tornaram chatas e batia um sono descomunal. “Isso é normal”, muita gente disse.

vida na irlanda dublin europa morar em outro pais

Inverno na Irlanda e Felipe patina no gelo pela primeira vez.

Mesmo com sua evolução, após alguns meses de estudo, se expressar no novo idioma era um desafio. Às vezes até batia uma tristeza, como da vez que perdeu uma oportunidade de emprego como programador justamente por não conseguir conversar em um telefonema. Mas aí ele relaxou, porque pensava: “eu tenho um emprego com o qual posso me manter, então tá tudo certo”. Então o sorriso voltava com tudo.

Mas daí Felipe perdeu o emprego de Kitchen Porter. Bateu uma depre. Deu vontade de xingar. Rolou aquela redução de gastos, vivendo apenas com o necessário.

Deu bastante medo de pensar que talvez o sonho poderia ter data de validade.

Quando ele começou a ficar com medo de verdade, mais do que um simples frio na barriga, ele conseguiu um emprego novo, em outro restaurante, bem mais legal, ganhando mais. Ufa. Aí até deu alegria por ter perdido o emprego antigo, porque o atual era melhor.

E daí sabe o que aconteceu?

Um amigo o indicou como estagiário em uma empresa. Sem ganhar nada, prática comum com estagiários aqui na Irlanda, ele começou a trabalhar. Ele fazia um “se vira nos 30” para estudar, trabalhar como programador (que dava alegria para o coração) e trabalhar como Kitchen Porter (que dava alegria para o bolso). E no final das contas, ele estava bem feliz.

Um dia, Felipe, com suas palavras contadas no inglês, conversou com o seu chefe onde fazia estágio e fez uma proposta: “que tal um estágio remunerado?”.

Todo mundo torcia por isso, mas quase ninguém acreditava.

Acontece que os chefes viram em Felipe algo que viram em poucas pessoas, um esforço admirável, uma vontade de fazer acontecer independente das circunstâncias. Mas sabe o que é? O inglês dele não ajudava. Então eles precisavam pensar.

E pensaram em uma resposta.

E a resposta foi sim.

Mas e se fosse não? Seria o fim?

Quantos nãos Felipe já recebeu… seria só mais um. Por isso que ele arriscou. Tantos riscos que já tinham sido corridos até aqui!

Felipe no Phoenix Park, em um dia quente do verão.

Um ano se passou desde o dia que Felipe sentiu o vento gélido de Dublin. As piadas continuam. O estágio remunerado continua, mas o de Kitchen Porter não mais, ufa.

O objetivo é o mesmo, evoluir, conquistar, construir e sempre sorrir.

“E se eu perder o estágio?”, “e se eu não conseguir um emprego melhor”, “e se eu ficar com pouca grana”, “e se…”. “Sabe de uma coisa? Vamos ali no mercado Tesco, comprar uma pizza e umas fritas para a gente comer? Preciso matar isso que está me matando!”

E assim é a vida do Felipe, a minha, a sua… Tão cheia de sonhos que abrilhantam, mas também tão cheia de dúvidas e dificuldades que nos dão um profundo medo.

E aí que eu lembro das histórias do Felipe no avião, no aeroporto sem saber falar inglês, no primeiro emprego, no emprego de estagiário, pelas ruas de Dublin. Todas elas me inspiram…

Vá, com medo, com vergonha, mas vá!

 

Ficou com vontade de viver aventuras assim como o Felipe? Saiba o que é preciso fazer para morar na Irlanda.

Previous Post Next Post

Posts relacionados